"Deus de vez em quando me tira a poesia.
Olho para uma pedra e vejo uma pedra."
- Adélia Prado
terça-feira, 2 de agosto de 2011
quinta-feira, 7 de julho de 2011
" Tenho frases guardadas, que fiquei de dizer quando houvesse sentido." (Gabito Nunes)
Será possível sentirmos saudade de algo ou alguém que não conhecemos? Possível sei que é, mas nunca soube de outra pessoa que sentisse isso que não eu. Sim, eu te conheci. Por pouco e vago tempo eu tive sua presença, mas não foi o suficiente para saber quem você era. Não sei qual era sua comida preferida, seu medo de infância, o que te deixava com raiva, nem nunca ouvi, de você mesmo, suas famosas histórias de aventura.
Não me lembro de você me ter dado uma real oportunidade de te conhecer, mas não fujo do fato de eu nunca ter tido interesse também. Foi uma ausência de ambos os lados, uma dupla culpa.
A maior oportunidade que tive talvez de estar com você foi já no final... recusei mais uma vez. Se não havia tido curiosidade de te ver bem, quanto mais mal. Por incrível que pareça nunca me senti culpada por essa falta de vontade. Achava admissível depois de anos de ausência. Mas no fim o sentimento ainda foi de perda. Perda de alguém que eu sabia o nome, o rosto, a voz... Perda de alguém que eu acredito que me amou, mas não se fez presente. Eu perdi. Você também perdeu. A perda foi múltipla. A oportunidade passou, eu não te conheci realmente e sinto falta disso. Que “porcaria”.
Acredite, penso sempre em você. Como uma pessoa estranha de quem sinto falta ter conhecido. Nunca vou saber se meus dedos realmente são tão iguais aos seus ou se minha mania de guardar caixas é algo hereditário. Você nunca me contou sobre uma viagem ou um dos dias de trabalho no fundo do mar.
Não sei se posso dizer que cheguei a sentir amor por você... Talvez no início, mas sei que sinto falta de ter te conhecido. Na verdade, sinto muito. Acho que nos daríamos bem.
As pessoas se surpreendem quando perguntam de você e respondo naturalmente o que já aconteceu. Elas pedem desculpa e eu não sinto o porquê disso.
Você sabe que tem outra pessoa executando o seu papel há anos, mas não sabe que sinto sua falta. Aliás, ninguém sabe e acredito que nem ao menos desconfiem. É aquele assunto que guardamos no fundo do peito, bem no cantinho. Mas que vez ou outra a gente mexe sei lá porque.
Quando eu penso em você não choro. Não me culpo. Apenas lamento. Lamento não termos tido a coragem de nos conhecermos. Na verdade, acredito que somente hoje em dia eu conseguiria querer te conhecer e vir a entender suas razões. O vicio é uma doença e essa doença destrói, eu sei e você sabe.
Entre ovos de Páscoa no mês de julho e parabéns por telefone uma vez por ano, restam hoje e somente depois de adulta, o vazio da ausência e uma carta com a sua letra.
O mais galanteador, o mais charmoso, o maior contador de histórias, o cara de bigode, o dos dedos longos, o que adorava entulho, o carinhoso, o mergulhador, o caçula... o tempo que tivemos juntos foi pouco demais... sinto muito por não ter realmente te conhecido, pai.
quarta-feira, 29 de junho de 2011

Pra que escrever se tem autores que me descrevem tão bem?
As angústias e alegrias da minha alma guardo comigo,
a mágica composição das palavras deixo com os mestres.
Parece que ofereci minha história para eles contarem,
quando na verdade eles me influenciam com sua, tão, tão maravilhosa habilidade
Por vezes me descreverem em miúdos, expressam em palavras o que sinto e não sei dizer.
Tenho começado a acreditar que meu sangue de escritora "errou de veia e se perdeu..."
Deus deve ter contado à eles
Obrigada escritores, amigos, poetas.
OBS: Achei perdido nos meus escritos (18/05/2011)
sexta-feira, 20 de maio de 2011
segunda-feira, 16 de maio de 2011
quinta-feira, 24 de março de 2011
Vôo

Direita... esquerda... direita... esquerda... direita... esquerda...
Direita! Esquerda! Direita! Esquerda! Direita! Esquerda!
Se pôs, mais uma vez, a correr nas pontas dos pés, quando o que mais desejava era voar
Sabia que não ter asas era uma falha para seu espírito de pássaro
Uma vez ao dia tentava fugir da terra, encontrar a paz que acreditava ter no céu
Ver todas as formas terrestres diminuídas e voar entre uma nuvem e outra
A melhor sensação era durante os milésimos de segundos em que os pés levitavam,
Até o momento que batiam com suas pontas no chão gasto e tristonho das ruas movimentadas de pressa e cobiça
Não se importava com os olhares alheios, enquanto tivesse seus rápidos momentos de
“vôo”, procurando sempre alcançar o céu
Um dia, quem sabe, havia de conseguir...
Direita! Esquerda! Direita! Esquerda! Direita! Esquerda!
Direita! Esquerda! Direita! Esquerda! Direita! Esquerda!
quarta-feira, 16 de março de 2011
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