quarta-feira, 29 de junho de 2011


Pra que escrever se tem autores que me descrevem tão bem?
As angústias e alegrias da minha alma guardo comigo,
a mágica composição das palavras deixo com os mestres.
Parece que ofereci minha história para eles contarem,
quando na verdade eles me influenciam com sua, tão, tão maravilhosa habilidade
Por vezes me descreverem em miúdos, expressam em palavras o que sinto e não sei dizer.
Tenho começado a acreditar que meu sangue de escritora "errou de veia e se perdeu..."
Deus deve ter contado à eles
Obrigada escritores, amigos, poetas.


OBS: Achei perdido nos meus escritos (18/05/2011)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Impotência


Tenho sofrido de impotência criativa
perdoe coração, essa minha doída ausência de palavras...

quinta-feira, 24 de março de 2011

Vôo



Direita... esquerda... direita... esquerda... direita... esquerda...

Direita! Esquerda! Direita! Esquerda! Direita! Esquerda!

Se pôs, mais uma vez, a correr nas pontas dos pés, quando o que mais desejava era voar
Sabia que não ter asas era uma falha para seu espírito de pássaro
Uma vez ao dia tentava fugir da terra, encontrar a paz que acreditava ter no céu
Ver todas as formas terrestres diminuídas e voar entre uma nuvem e outra
A melhor sensação era durante os milésimos de segundos em que os pés levitavam,
Até o momento que batiam com suas pontas no chão gasto e tristonho das ruas movimentadas de pressa e cobiça
Não se importava com os olhares alheios, enquanto tivesse seus rápidos momentos de
“vôo”, procurando sempre alcançar o céu
Um dia, quem sabe, havia de conseguir...

Direita! Esquerda! Direita! Esquerda! Direita! Esquerda!

Direita! Esquerda! Direita! Esquerda! Direita! Esquerda!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Me.




Aspirante à escritora, futura historiadora, leitora incurável (...)

segunda-feira, 14 de março de 2011

Delicadeza


Ganhei uma delicadeza: um selo de qualidade! =D
Obrigada, Mari Magno ! A moça, que assim como eu, parece viver de palavras..


Exerço a delicadeza também com:

http://www.silvinhahba.blogspot.com/

http://www.varaldesonhos.blogspot.com/

http://www.deborahsimoes.blogspot.com/

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O que mais você quer?



Era uma festa familiar, dessas que reúnem tios, primos, avós e alguns agregados ocasionais que ninguém conhece direito. Jogada no sofá, uma garota não estava lá muito sociável, a cara era de enterro. Quieta, olhava para a parede como se ali fosse encontrar a resposta para a pergunta que certamente martelava em sua cabeça: o que estou fazendo aqui? De soslaio, flagrei a mãe dela também observando a cena, inconsolável, ao mesmo tempo em que comentava com uma tia: "Olha pra essa menina. Sempre com essa cara. Nunca está feliz. Tem emprego, marido, filho. O que ela pode querer mais?"

Nada é tão comum quanto resumirmos a vida de outra pessoa e achar que ela não pode querer mais. Fulana é linda, jovem e tem um corpaço, o que mais ela quer? Sicrana ganha rios de dinheiro, é valorizada no trabalho e vive viajando, o que é que lhe falta?

Imaginei a garota acusando o golpe e confessando: sim, quero mais. Quero não ter nenhuma condescendência com o tédio, não ser forçada a aceitá-lo na minha rotina como um inquilino inevitável. A cada manhã, exijo ao menos a expectativa de uma surpresa, quer ela aconteça ou não. Expectativa, por si só, já é um entusiasmo.

Quero que o fato de ter uma vida prática e sensata não me roube o direito ao desatino. Que eu nunca aceite a ideia de que a maturidade exige um certo conformismo. Que eu não tenha medo nem vergonha de ainda desejar.

Quero uma primeira vez outra vez. Um primeiro beijo em alguém que ainda não conheço, uma primeira caminhada por uma nova cidade, uma primeira estréia em algo que nunca fiz, quero seguir desfazendo as virgindades que ainda carrego, quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias.

Quero ventilação, não morrer um pouquinho a cada dia sufocada em obrigações e em exigências de ser a melhor mãe do mundo, a melhor esposa do mundo, a melhor qualquer coisa. Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, arejar minha biografia, deixar que vazem algumas ideias minhas que não são muito abençoáveis.

Queria não me sentir tão responsável sobre o que acontece ao meu redor. Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas, sobre as coisas que dão errado e também sobre as que dão certo. Me permitir ser um pouco insignificante.

E, na minha insignificância, poder acordar um dia mais tarde sem dar explicação, conversar com estranhos, me divertir fazendo coisas que nunca imaginei, deixar de ser tão misteriosa pra mim mesma, me conectar com as minhas outras possibilidades de existir. O que eu quero mais? Me escutar e obedecer ao meu lado mais transgressor, menos comportadinho, menos refém de reuniões familiares, marido, filhos, bolos de aniversário e despertadores na segunda-feira de manhã. E também quero mais tempo livre. E mais abraços.

Pois é, ninguém está satisfeito. Ainda bem.

(28 de maio de 2006 - Martha Medeiros)